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Capela Santo Inácio de Loyola

Também chamada de Igrejinha da Serra, a Capela de Santo Inácio de Loyola é um importante ponto turístico da cidade de Fênix. Confundida por muito tempo como parte direta da história de Villa Rica del Espiritu Santo, supostamente associada com uma hipotética construção que remontaria ao século XVII, ela na verdade tem sua origem na primeira metade do século XX, mais precisamente em 1928, apesar das escassas informações.
Localizada no alto de um morro, a Igreja desperta a curiosidade de muita gente, especialmente a partir de lendas que foram se cristalizando na memória coletiva dos habitantes da região.

A lenda que quase destruiu a capela está associada a Villa Rica, fato que atraiu muita gente em busca de riqueza. O nome de Villa Rica teria sido atribuído a primeira fundação da cidade em 1570, pois se imaginava que existia ouro em abundancia na região, que aliás não é a mesma região do município de Fênix. Nesta cidade ocorreu uma refundação. Imaginando que a Capela estivesse associada a Villa Rica e a uma antiga lenda que perdurou séculos e de que poderia ter sido enterrado ouro pelos espanhóis na região antes da destruição da cidade pela invasão dos bandeirantes paulistas em 1632.
A Capela supostamente poderia ter sido um local ideal, uma referência de localização, mas o que muita gente não sabia é que a capela não está associada a Villa Rica. A Capela foi construída em meados do século XX, quase três séculos depois da fundação de Villa Rica. No entanto, isso não impediu com que inúmeros invasores escavassem a Capela em busca de ouro, fato que quase levou a destruição do espaço sagrado.

Com a procura de pessoas pela Capela por ser um espaço sagrado, mas também pela curiosidade e pelas lendas, a prefeitura realizou melhorias no seu entorno e um trabalho de “restauro”, do ponto de vista histórico equivocado, pois não levou em consideração as boas práticas da restauração, com a aplicação de materiais com intervenção inadequada. Mesmo assim, a Igrejinha continua sendo lugar de intensa visitação e referência para a Rota da Fé. A Capela, com uma cruz ao seu lado, conta com um altar e pequenos objetos, lembranças deixadas por peregrinos.

A lenda de ouro enterrado na Capela está associada, como já mencionamos anteriormente, a Villa Rica. Em 1896, José Cândido da Silva Muricy, político e militar paranaense, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, com um grupo de políticos e empresários paranaenses realizou uma “expedição a Villa Rica”, imaginando equivocadamente que pudesse ser uma redução jesuítica com tesouros enterrados. Partindo de Curitiba rumo ao atual município de Fênix se depararam com as ruídas de taipa e alguns fragmentos cerâmicos de Villa Rica. Apesar de várias escavações, logo o grupo se deparou com o fato de que nada encontrariam. A expectativa era tão grande que um ano antes, Muricy e um grupo de empresários solicitaram junto ao Governo do Estado do Paraná uma concessão de exploração por 30 anos das “minas de ouro, cobre, diamante e outros mineraes nas bacias hydrographicas dos rios Ivahy e Pequery (da colônia Therezina, no municipio de Guarapuava até o logar denominado ‘Vila Rica’)”. No entanto, expedições como essas alimentaram a sanha exploratória e o imaginário dos visitantes. Como reforça o topógrafo Carlos Alberto Teixeira Coelho Junior em 1946 em seu livro “Pelas selvas e rios do Paraná”: “Não há sertanejo do Oeste paranaense, que não esteja convencido, de lá se encontrarem, um gigantesco sino de bronze assinalando as ruínas, e, enterrados, em lugar ignorado, consideráveis cabedais de ouro e pedras preciosas”. A essa altura a lenda sobre os tesouros de Villa Rica já haviam se firmado no imaginário coletivo da população e a Capela de Santo Inácio de Loyola acabou se tornando referência nesse contexto.
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