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PONTOS TURÍSTICOS

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O Museu de Vila Rica do Espírito Santo

Inaugurado em novembro de 1990 com cerca de 108m², o museu se localiza dentro do Parque Estadual de Vila Rica do Espírito Santo, e possui vários objetos que dizem muito sobre as pessoas que ali viviam (indígenas e colonos espanhóis).

Vejam alguns dos objetos encontrados em Villa Rica e no seu entorno e que podem ser apreciados no museu.


Os vestígios encontrados nas escavações ou por doação de populares são variados. Entre os fragmentos cerâmicos de influência espanhola, destacam-se a presença de pratos rasos e fundos, assim como tigelas com alças.

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Além desses objetos, foram encontrados também outros materiais cerâmicos e de ferro, que reforçam características da cultura espanhola, como é o caso das telhas, vasilhames com fundos planos, cachimbos, assim como artefatos relacionados à fundição de ferro.

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Além dos objetos que remetem à cultura espanhola, foram encontrados também objetos de influência indígena, alguns na própria cidade e outros na região no entorno de Villa Rica. Entre os objetos, podemos destacar fragmentos cerâmicos escovados e simples da Tradição Tupi-Guarani, lascas e raspadores de quartzo criptocristalino, entre outros fragmentos.

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Na imagem da esquerda, um vasilhame tupi-guarani que era utilizado para armazenar alimentos e fermentar bebidas. Os vasilhames mais representativos eram escolhidos para ser utilizados como urnas funerárias para sepultar. Primeiro, enterrava-se o morto no solo por alguns meses, depois, os ossos eram desenterrados e inseridos, junto com alguns pertences, dentro do vasilhame e enterrados no interior da casa em que esse indígena havia vivido. Já na imagem da direita, encontramos várias peças, como: almofarizes e mãos de pilão; lâminas de machado polidas; raspadores e plainas; ponta de projétil; virotes; vasilhames cerâmicos tupi-guarani; rodelas de fuso; adornos em cerâmica. Entre os objetos encontrados nas escavações ou por doações realizadas por moradores da região, uma parte está exposta no Museu do Parque Estadual de Vila Rica do Espírito Santo (Fênix), e a outra parte, no Museu Paranaense (Curitiba).

É importante ficar claro que, bem antes da presença do “homem branco” – tanto de espanhóis quanto de portugueses –, os índios já estavam presentes em todo o continente americano. Portanto, “descobrimento” é um termo relativo utilizado pelos portugueses e espanhóis, quando da sua chegada nessas terras. É essencial não esquecer: os índios já estavam aqui. No caso do Paraná, como vocês podem observar no mapa que segue, havia a presença de diferentes grupos indígenas.

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Como vocês já observaram em outros momentos, a localização de Villa Rica fica na confluência dos rios Ivaí e Corumbataí. No mapa anterior, a confluência dos rios Ivaí e Corumbataí está localizada no território com maior presença do grupo indígena guarani. Com base na documentação de época, estimava-se que viviam em torno de duzentos mil índios guaranis nos arredores de Villa Rica, uma das maiores concentrações populacionais de guaranis na época.

A invasão do território indígena por parte dos espanhóis que alegavam estar protegendo suas fronteiras foi conflituosa. Nos documentos de época e nos estudos já realizados, estão presentes diferentes relações entre índios e espanhóis, mas, inicialmente, marcada pelo conflito e resistência. Apesar de os índios serem mais numerosos, o recurso das armas de fogo utilizadas pelos espanhóis acabou subjugando muitos grupos de índios guaranis. Esses índios guaranis foram explorados pelos espanhóis por meio de dois sistemas impostos: a encomienda e a mita. A encomienda foi um sistema criado pelos espanhóis e imposto aos indígenas durante o período colonial para o trabalho de extração da erva-mate, com objetivo de explorar o trabalho indígena de forma compulsória por um colono que teria direito enquanto vivesse. Vinte mil índios foram encomendados. Em troca, o colono era responsável pelo índio (sustentar e vestir) e deveria promover sua cristianização, sem nunca vendê-lo ou maltratá-lo. Na teoria, era um servo e não escravo, pois, segundo a legislação colonial espanhola, os yanáconas (índios submetidos) estavam subordinados às terras e não aos proprietários, daí o fato de não estarem à venda e, assim, não serem considerados escravos. Já a Mita era um sistema de trabalho forçado imposto e tinha como origem a ação dos reis incas, no Peru.

Nesse sistema aplicado pelos espanhóis, uma parte dos índios era utilizada para o trabalho em uma jornada de quatro dias de trabalho semanal, permitindo que só fosse retirada a quarta parte dos indígenas encomendados, proibindo castigo aos índios e carregamento excessivo em seus trabalhos. Na prática, a realidade foi outra, a violência empregada pelos colonos espanhóis era naturalizada e de difícil controle por parte da coroa espanhola.

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2023

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